Pode Servir Para Não Desmoralizar Grande Parte Dos Alunos Da Turma…

… que se esforçam por não faltar, abandalhar ou gozar com tudo à volta.

Chumbar um aluno “não serve para nada”, diz presidente do Conselho Nacional de Educação

É absolutamente intolerável que esta nova vida de certas cliques ideológicas do terceiro quartel do século XX se faça à custa de acusar os professores pelo mau desempenho dos seus alunos, dando um ar de legitimação às teses economicistas que são o aspecto nuclear das preocupações do governo nesta matéria.

Quem sabe um pouco de História Comparada da Educação sabe que, com algumas nuances, o No Child Left Behind (que é, curiosamente, a inspiração retórica mais próxima da actual investida entre nós, sendo uma iniciativa do Bush Jr.) terminou em fiasco e acabou com o desempenho dos alunos americanos pior do que antes. Por lá demorou uma dúzia de anos a reconhecer nisso. Por cá, basta ficarem sempre os mesmos – ou os seus herdeiros – a dominar o CNE ou o ME e será sempre um sucesso.

Os erros do NCLB foram reconhecidos em plena era Obama (para que não restem dúvidas sobre o facto de não ter sido a “direita” a acabar com a coisa) e seria bom que aprendêssemos com eles. Caso exista ainda quem tenha vontade de aprender, após décadas de enquistamento intelectual em teses ultrapassadas.

A minha opinião, em resumo de sete minutos, ficou hoje no fim (a partir dos 42′) do Antena Aberta da Antena Um.

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(a abrir, o SE Costa já apareceu a dizer que afinal se anda a discutir um plano que ainda não existe e tal… o costume após ter sido atirado o barro à parede e tocado à campaínha dos amigos MEM do CNE)

 

13 thoughts on “Pode Servir Para Não Desmoralizar Grande Parte Dos Alunos Da Turma…

  1. Pois, apesar da campanha de propaganda e dos assalariados do costume, os pais reais estão totalmente contra esta lógica da passadeira rolante. Para todos, a certificação da escola ainda é uma garantia e ninguém que se preocupe com a educação dos seus filhos e que os acompanhe nos estudos aprova esta política. Mas é como dizes, o “barro foi lançado à parede”, mas não cola.

  2. Gostei muito da intervenção que hoje fez na Antena 1, pertinente e com o pragmatismo de quem dá aulas.

    Partilho aqui o comentário que fiz no blog “Com Regras” sobre o tema:

    Já me começa a faltar a paciência para as questões da educação. Agora parece que passamos à fase de saber quem é mais “facilitista”.
    A comparação com a Finlândia parece-me desajustada porque há um mar de diferenças: https://novaescola.org.br/conteudo/15363/o-que-ninguem-te-conta-sobre-a-educacao-na-finlandia
    Portugal não é a Finlândia, dizem-nos, por exemplo, os índices de corrupção, as desigualdades sociais, os índices de pobreza e o nível de escolarização das famílias! Apesar de tudo isto, o seu percurso foi longo. No entanto, não estão a formar os técnicos de que necessitam em determinadas áreas, nomeadamente na da saúde! Porquê? Terão razão os que começam a questionar o sucesso do modelo?
    A escola portuguesa, por estes dias, assemelha-se a um camaleão. Foi caraterizada como violenta, tranquila, apesar de alguns problemas pontuais, para agora se admitir a indisciplina como problema. Universos paralelos?
    Importaria recordar que as comunidades educativas são constituídas por pessoas, com nome e apelido, que vão sendo trituradas pela urgência de um quotidiano que não se compadece com exercícios de retórica, demagogia e mensagens carregadas de “energia positiva”.
    Escreve Predro Strecht , “(…) adotando uma linguagem comum às áreas económicas e tecnológicas que culturalmente parecem ser únicas, os jovens de hoje são claramente “multitasking”. No mesmo tempo e espaço desdobram-se em respostas breves, sucessivas, não necessariamente conectadas umas com as outras, reativas a estímulos repetidos e inesperados que mobilizam um constante estado de alerta emocional. Neles, as designadas hormonas de “stress” comandam os padrões de funcionamento físico e psíquico, determinando um movimento de ativação, verdadeiro estado de emergência interna, capaz simultaneamente produzir e projetar algo de absolutamente caraterístico: uma ansiedade (insatisfação) permanente”. [“Hiperatividade e défice de atenção”, p.14]
    Mas serão os desafios do século XXI mais transcendentes do que os do passado? Não creio, porque partilho com Erling Kagge que “O desassossego que sentimos está connosco desde sempre; é o nosso estado natural. O presente fere, escreveu Pascal. E a nossa resposta a isso consiste em procurar incessantemente novos objetivos que atraiam a nossa atenção para fora e para longe de nós.
    Claro que, durante o último século, este tipo de oportunidade para a interrupção aumentou tremendamente, uma tendência que parece manter-se. «Vivemos na era do ruído». O silêncio está em via de extinção.” [“Silêncio Na Era Do Ruído”, p. 48]
    Como ensinar hoje? Não é fácil, nunca o foi, mas preferia que fossem chegando à escola pequenas reformas, acompanhadas de tempo e dos meios necessários à sua implementação, que fossem devidamente avaliadas, do que apenas a avalanche de documentação e de reuniões que se erguem como um muro, cada vez mais difícil de saltar, ente os professores exaustos e os seus alunos.
    Um pouco de silêncio faz falta, “Para poderem fazer uma pausa e pensarem naquilo que, de facto estão a fazer” [E.Kagge, p. 51]!

  3. Criar uma elite baseados na máxima “nem todos podem ser doutores” é o objetivo final. Sendo que essa elite será diminuta, enquanto os restantes poderão ser vendidos às grandes empresas como mão de obra barata e manipulados pela sua ignorância. ( pareço quase um comuna a falar)

    1. Não podia estar mais de acordo. O objetivo destes políticos iluminados é promover uma população acéfala, travando o conhecimento e o espírito crítico, de forma a que façam as “maroscas” e não sejam incomodados. Viva o Facilitismo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  4. Excelente intervenção, Paulo Guinote.
    Só faltou explicar que não há nenhuma poupança com o fim das retenções.
    Aos 18 anos os maus alunos vao embora quer estejam no 9º ano quer estejam no 11º ano.

  5. era bom que aplicassem este modelo na vida social: multar não serve para nada; prender não serve para nada; despedir não serve para nada.
    então porque raio continuam a aplicar e agravar estas inutilidades todas?…(pergunta retórica, obviamente…)

  6. Elis, também me parece que muitos pais estão contra esta medida. Mas onde andam? Manifestem mais a vossa opinião. Se queremos travar esta ‘coisa’ temos que nos unir, professores e pais. Aliás, estes mesmos pais deveriam também manifestar-se muito por causa da violência nas escolas, que é tudo menos residual, afinal é a segurança dos seus filhos que está em causa, devido a uns quantos que teimam em não cumprir as regras e continuam viver impunemente.

  7. Certeiro e incisivo como de costume.
    Grato e confortado por saber que na profissão há alguém com esta qualidade de intervenção.
    Está lógica da escola como passadeira rolante em que nada se exige aos alunos para atingir o sucesso será o enterro definitivo da escola como elevador social, com vista – como mais acima refere o Cardoso – a que a grande massa de futuros proletários saídos da escola sirvam a baixo custo as multinacionais e as empresas locais.

  8. Sim… A grande inovação seria voltar o bom senso!
    Um ano tranquilo, sem novidades, com tempo e silêncio para sentir a sala de aula… e a escola…
    Um ano em que o processo ensino – aprendizagem fosse o centro do trabalho do professor!

  9. A senhora deveria calçar as pantufas da sua bela reforma porque está a anos luz da escola de hoje e dar lugar a outros. Aliás, estas belas almas que se põem a dar bitaites sobre o que os professores deveriam ou não fazer poderiam, eles próprios, dar o exemplo e ir para uma escola cumprir um horário completo. Não durariam um mês.Tanta conversa fiada que enoja.

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