Duvido Que Seja O Único a Pensar…

... que a marcação desta ronda de negociações que termina com a ameaça de um decreto-lei a impor uma decisão não negociada foi apenas um pretexto para que fosse parada a greve em Julho pela Plataforma Sindical (começa a ser tempo de voltar a saber quantos sócios no activo têm realmente certos sindicatos). Agora se uns foram enganados ou se participaram activamente na “comédia” não sei. Se foram enganados, acho legítimo que tenha perdido (de novo) a confiança na lucidez dos mandantes da luta; se participaram com conhecimento da coisa, acho legítimo pensar mais do que isso.

Já agora… os operacionais ortodoxos que andaram a  dizer que a ida da ILC ao Parlamento poderia redundar num fracasso e levar a perder tudo, deveriam agora engolir a língua e sufocar na sua própria mentira ou serem obrigados a demonstrar quantos dias estão a ser ganhos em relação à proposta inicial do governo. O que se está a passar é que se pretende legislar à força, antes da ILC chegar ao Parlamento, porque a votação do anunciado decreto-lei governamental poderá contar com os votos contra dos “lutadores” (as declarações do camarada Jerónimo são a esse respeito adequadamente claras) sem quaisquer consequências de maior (a menos que o PSD se mexa e não se abstenha), enquanto que a ILC, chegando lá, forçará outro tipo de clarificação, obrigando o PCP a assumir com clareza a favor/contra (d)o que está. Se a “responsabilidade orçamental” é agora o valor que nunca foi em outras alturas.

Claro que António Costa conta com o apoio do presidente Marcelo para este avanço “unilateral”, que acha revelar a sua “firmeza” (evitando contrariar os socráticos que o rodeiam e inspiram), pelo que o PSD deve encolher-se todo, até porque também tem responsabilidades no congelamento.

Claro que isto é tudo muito parecido a 2008. Porque até a maioria das moscas é a mesma.

Dupla TiagoMário

 

 

18 thoughts on “Duvido Que Seja O Único a Pensar…

  1. “…porque a votação do anunciado decreto-lei governamental poderá contar com os votos contra dos “lutadores” … sem quaisquer consequências de maior (…..) enquanto que a ILC, chegando lá, forçará outro tipo de clarificação.

    Creio que, igualmente, ….sem quaisquer consequências de maior.

  2. Infelizmente, eu também penso o mesmo desde que começou a palhaçada pseudo negocial.
    Digo infelizmente, porque traduz a pouca crença que me resta na ‘verdadeira força’ sindical.
    Outros valores mais altos se ‘alevantaram’, claro está.
    Para quando o fim deste circo deprimente e decadente???

  3. Neste momento, tenho uma certa dificuldade em perceber se este país ainda é um país democrático e ainda de direito. Já agora, também, se os sindicatos servem para defender a legalidade efectiva dos sócios todos ou só de alguns? E, já agora, também, … já nada mais digo porque cada vez é mais óbvia a razão da abstenção!

    1. Sim, o DL pode ser decidido pelo Governo sem ir ao Parlamento caso se considere não estar abrangido pela necessidade de uma autorização legislativa.

      Não sei se este tipo de diploma poderá ser aprovado sem a dita autorização, mas acredito que sim e que até seja essa a solução ideal para a geringonça.

  4. E o grupo de trabalho que ia fazer contas já começou a trabalhar ou ainda está de férias? O ME, com a boa fé governamental do costume, já disponibilizou os dados para as contas ou continua a fingir?

  5. como nas escolas há mulheres a ganhar mais do que os homens e vice-versa, o governo teria de respeitar a resolução da AR nº72/2018, que estabelece a igualdade de género salarial…
    e assim acabava-se a farsa das negociações e do ‘agarrem-me senão vou a eles’…

  6. A solução é forçar, nas escolas, os diretores a demitirem-se todos! Onde estão esses colegas?
    Temos poder para os forçar a demitir. Se em cada escola isso sucedesse, como fizeram os médicos, de certeza que as coisas estariam mais equilibradas. Temos de passar a palavra e começar a revolução.

    1. “Forçar os diretores a demitirem-se “,
      “colegas”!!!!!!!!!!!!!
      Onde é que você vive? Em Marte?
      Não, é noutra galáxia, com certeza.
      Como é que, 10 anos depois, ainda não percebeu … já não há professores nas direções das escolas. Os diretores foram aumentados em mais de 100%, sim mais de 100%. Estão-se “nas tintas” para os zecos e para as suas reivindicações, umas míseras dezenas de euros.
      Nota: também não leu o Público nem viu notícias durante agosto …”Diretores perseguem professores nas escolas “….
      Acorde!!!!! Já é tempo, ou vai continuar Zé!?

  7. E se………uma utopia, eu sei. Ou não.

    “Interrogo-me o que diriam estes pais e familiares se a escola que tanto almejam iniciar rapidamente…

    Não começasse. Literalmente.

    Se os profissionais desmotivados e exauridos, simplesmente, tomassem uma posição de força.

    E NEM UM ÚNICO SE DESLOCASSE À ESCOLA no primeiro dia de aulas.

    Nem no segundo.

    Nem no terceiro.

    Até quando?”

    https://www.arlindovsky.net/2018/09/nunca-mais-comeca-a-escola-e-se-nao-comecasse/

  8. Em meu entender é um bocado rebuscada esta teoria da conspiração, até pelo que revela de auto suicidária.
    O que sei é que eles – governo e as respectivas vozes do dono a ele associado – estão apostados na mentira, em fazer passar a ideia de que os professores e os seus sindicatos são inflexíveis, egoístas e incapazes de olhar para os interesses gerais.
    Mas o que se passa de facto é que os professores não querem nem podem admitir – até por uma questão de dignidade e de respeito – é que este governo em matéria de recuperação do tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira, tenha dois pesos e duas medidas: uma medida para os funcionários das carreiras gerais – com recuperação a 100% – e outra medida para os professores, com recuperação de apenas 30% do seu tempo.
    Não posso aceitar esta desigualdade de tratamento, esta aberrante discriminação, por isso estou disposto a tudo. Já aqui o disse: estou disposto a parar um mês seguido, nem que tenha de me sustentar só a sopa. E por mim começava já no dia 17, estratégia apontada pela colega “F” que devia ser considerada não como uma utopia mas como coisa perfeitamente realizável, a menos que nos achemos inferiores e merecedores deste tratamento discriminatório.
    A “sustentabilidade orçamental” não pode ser argumento para atirar à cara de uns e para omitir a outros.

  9. Dúvida que me surgiu: se a “bonificação” só se vai repercutir no escalão para o qual os professores progridam a partir de 1 de Janeiro de 2019, aqueles que se encontram no 9º escalão não terão nenhum tempo reposto para efeitos da passagem ao 10º escalão. Está correcta a minha interpretação?

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